O Kwai em 2025 mostrou que a cultura popular brasileira segue ditando o ritmo das tendências digitais

Por Diego Velázquez 7 Min de leitura

Das mininovelas ao piseiro pernambucano, passando pela Irmã Marluce e pelo brega que virou febre nacional, a plataforma registrou um ano em que o Brasil das periferias conquistou o centro do algoritmo

Nenhuma pesquisa de mercado consegue capturar com precisão o que faz um vídeo viralizar no Brasil, mas o histórico de 2025 no Kwai oferece algumas pistas poderosas. A faixa “Obrigado, Deus”, do jovem pernambucano Léo Foguete, de 21 anos, foi a música que mais bombou na plataforma ao longo do ano. A canção celebra conquistas, superação e gratidão, e se tornou a trilha sonora perfeita para vídeos de vitórias pessoais e momentos especiais compartilhados por usuários de todas as regiões do país. O álbum de estreia de Foguete, lançado em outubro de 2024, alcançou o topo das paradas brasileiras e consolidou o artista como um dos mais ouvidos no streaming nacional durante 2025. O episódio revela uma característica central do Kwai: a plataforma funciona como um termômetro da cultura popular que antecipa o que vai explodir nas rádios e nas demais plataformas.

A segunda música mais popular do ano na plataforma foi “Mil Bocas”, que uniu o sertanejo de Thiago Carvalho ao arrocha e brega de Natanzinho Lima em uma narrativa sobre amor, críticas e resistência. A escolha do público não foi acidental: o brega e o arrocha dominaram as tendências musicais do Kwai em 2025, com o bordão “Garçom, tem Pitú?”, da artista pernambucana Laércia, viralizando de forma orgânica e transformando uma performance simples ao teclado em um fenômeno nacional que mobilizou celebridades e anônimos. A trajetória de Laércia ilustra bem o que a plataforma promete desde que chegou ao Brasil: qualquer pessoa com uma história autêntica pode viralizar, independentemente de onde mora ou de quanto tem para investir em produção.

O humor que nasce do cotidiano

Além da música, o humor baseado em situações reais foi um dos pilares do entretenimento no Kwai em 2025. Salomão Jesus se destacou com um formato que virou assinatura do seu perfil: vídeos gravados em pontos de ônibus, nos quais transforma a espera pelo transporte público em cenas leves e bem-humoradas. Um dos vídeos mais curtidos do ano, “Quase ela perdeu o ônibus”, acumulou mais de 509 mil curtidas, 17,5 mil comentários e 12,5 mil compartilhamentos, segundo dados publicados pelo Jornal do Brás em dezembro de 2025. Já a Irmã Marluce viralizou com uma pegadinha filmada em uma academia: ela pede para “revezar” em um aparelho, gera confusão entre os outros frequentadores e então surpreende a todos ao executar o exercício com perfeição. A combinação de expectativa, dúvida e surpresa funcionou como uma fórmula comprovada de engajamento.

Esses exemplos mostram que o Kwai se firmou como um território onde o humor não precisa de roteiro elaborado nem de produção sofisticada para funcionar. O que une Salomão Jesus, a Irmã Marluce e dezenas de outros criadores que explodiram em 2025 é a capacidade de transformar o ordinário em extraordinário, partindo de situações que o público reconhece imediatamente como parte da sua própria vida. Essa proximidade com o real é o que diferencia o tipo de entretenimento que prospera no Kwai do conteúdo polido e distante das produções tradicionais.

Mininovelas, realities e a TV que foi para o celular

O TeleKwai consolidou em 2025 um fenômeno que já vinha se anunciando desde o ano anterior: a migração do formato de novela para os vídeos curtos. O canal “A Vida Nos Vídeos”, com quase três milhões de seguidores, apresenta mininovelas protagonizadas por atores jovens que abordam relacionamentos, família e conflitos do cotidiano, com forte apelo para públicos fora dos grandes centros urbanos. Já o perfil “A Nossa História” ultrapassou 6 milhões de curtidas com narrativas sobre encontros e desencontros amorosos vividos pelo casal Laís Ricota e Felipe Soares. A estrutura seriada dessas produções cria um ciclo de retorno: quem assiste a um episódio volta para o seguinte, ampliando o tempo de engajamento na plataforma de forma orgânica.

O reality digital “Rancho do Maia”, idealizado por Carlinhos Maia e patrocinado pelo Kwai, revelou novos criadores e reforçou a aposta da plataforma em conteúdos sem filtros. Uma das participantes que mais chamou atenção foi Patixa, criadora com Síndrome de Down que ganhou projeção nacional ao participar do reality e depois marcou presença no tapete laranja do Prêmio Kwai 2025. A trajetória de Patixa reforçou o que a plataforma afirma como proposta central: a celebração de criadores reais, de diferentes regiões e contextos sociais, sem o verniz que muitas vezes afasta o público de grande parte do entretenimento digital.

Outro fenômeno do ano foi o Passinho do Jamal, coreografia criada por Jamal da Capital, de 25 anos, e Eo Chapa, de 21, amigos da comunidade de Santo Amaro, no Recife. A dancinha virou febre nacional e chegou a ser reproduzida por pessoas de perfis e regiões completamente distintos, mostrando que uma ideia simples, com graça e personalidade, ainda tem capacidade de romper qualquer bolha digital. O ano de 2025 no Kwai foi, em resumo, um argumento em favor da autenticidade como a moeda mais valiosa do entretenimento digital brasileiro.

Fontes:

Compartilhe esse Artigo