Odair José Mannrich

Como grandes empreendimentos podem reduzir o consumo de energia? Veja neste artigo

Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
Odair José Mannrich

O consumo de energia em grandes empreendimentos comerciais e industriais tem se tornado uma das principais preocupações de gestores e investidores. Conforme frisa Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, a escala dessas estruturas amplia tanto os custos quanto as oportunidades de economia, tornando a eficiência energética um tema estratégico e não apenas operacional.

Isto posto, reduzir o consumo de energia em instalações complexas exige olhar além da simples troca de equipamentos. Envolve decisões tomadas ainda na fase de projeto, escolhas de automação e rotinas de manutenção capazes de sustentar ganhos ao longo do tempo. Pensando nisso, a seguir, veremos como aplicar essas soluções na sua operação.

Por que o consumo de energia aumenta conforme a estrutura cresce?

Empreendimentos de grande porte concentram sistemas de climatização, iluminação, elevadores e equipamentos industriais operando simultaneamente. Essa concentração multiplica o consumo de energia de forma não linear, já que cada sistema interfere no desempenho dos demais. Um chiller mal dimensionado, por exemplo, força outros equipamentos a compensar perdas, elevando o gasto total além do esperado.

Esse efeito em cascata explica por que soluções isoladas raramente resolvem o problema. Odair José Mannrich menciona que, sem uma leitura integrada das instalações, cada ajuste pontual desloca o desperdício para outro ponto do sistema, mantendo os custos elevados mesmo depois de investimentos em equipamentos mais modernos.

Eficiência energética começa no projeto arquitetônico e estrutural

Boa parte do potencial de economia se define antes da primeira máquina ser instalada. Como pontua o engenheiro Odair José Mannrich, decisões de projeto como orientação solar, envoltória térmica e distribuição dos ambientes determinam a demanda energética que a operação terá de sustentar por décadas. Entre as escolhas que mais impactam o consumo de energia ainda na fase de projeto, destacam-se:

  • Envoltória térmica adequada ao clima local, reduzindo a carga sobre a climatização;
  • Aproveitamento de luz natural e ventilação cruzada nas áreas de maior fluxo;
  • Sistemas de climatização dimensionados conforme a ocupação real dos espaços;
  • Setorização elétrica que permite desligar áreas ociosas sem afetar o restante da estrutura.
Odair José Mannrich
Odair José Mannrich

Esses elementos conversam entre si. Uma envoltória bem calculada reduz a carga sobre a climatização, que, por sua vez, pode ser dimensionada com equipamentos menores e mais econômicos de operar ao longo dos anos.

Quais tecnologias ajudam a reduzir o consumo de energia na operação diária?

Depois que o empreendimento entra em funcionamento, a tecnologia assume o papel de manter os ganhos previstos no projeto. Sistemas de automação predial cruzam dados de ocupação, temperatura e horário para ajustar equipamentos em tempo real, evitando que a estrutura opere no máximo quando a demanda real é menor.

De acordo com Odair José Mannrich, sensores de presença, válvulas inteligentes e inversores de frequência funcionam como uma camada adicional de controle. O valor dessas tecnologias está menos no equipamento em si e mais na capacidade de gerar dados que orientam decisões futuras sobre onde investir.

Aliás, uma dúvida comum entre gestores é se esse tipo de automação se paga rapidamente. Em instalações com uso intenso de climatização, o retorno costuma aparecer já nos primeiros ciclos de operação, pela queda direta no consumo de energia durante os horários de baixa ocupação.

Manutenção preditiva sustenta os ganhos conquistados

Reduzir o consumo de energia uma única vez não garante resultado permanente. Equipamentos perdem eficiência com o tempo e, sem manutenção adequada, o desgaste natural devolve parte da economia conquistada. O engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, apresenta que a manutenção preditiva substitui inspeções aleatórias por intervenções baseadas no comportamento real dos sistemas.

Motores com vibração fora do padrão, filtros obstruídos e vazamentos em redes de ar comprimido são exemplos de falhas que aumentam o gasto energético antes de causar uma parada visível. Identificar esses sinais com antecedência evita que o problema se converta em desperdício contínuo.

A eficiência energética como uma vantagem competitiva de longo prazo

O consumo de energia em grandes empreendimentos não se resolve com uma única ação, mas com a soma de decisões consistentes, desde o projeto até a rotina de manutenção. Essa visão de longo prazo transforma a economia energética em vantagem competitiva, e não apenas em redução de despesas.

Assim sendo, empreendimentos que tratam a eficiência como parte da estratégia, e não como resposta a uma conta alta, chegam mais preparados para exigências regulatórias futuras e para a valorização do próprio patrimônio. Ou seja, o momento certo de agir é durante o planejamento, quando as decisões ainda custam menos e rendem mais ao longo de toda a operação.

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