Wander Aguilera Almeida

Mais biodiesel, mais demanda por óleo de soja

Por Adam Valssen 5 Min de leitura
Wander Aguilera Almeida

Uma decisão de política energética, como o aumento da mistura de biodiesel no diesel, impacta significativamente o preço de insumos agrícolas. De acordo com Wander Aguilera Almeida, empresário, o óleo de soja vem sustentando patamar de preço mais alto no mercado brasileiro desde que essa mudança regulatória passou a valer, sem qualquer alteração direta na lavoura em si, nem uma gota a mais de chuva. 

Cerca de oitenta por cento do biodiesel produzido no país tem o óleo de soja como matéria-prima principal, o que torna a oleaginosa peça central em qualquer discussão sobre ampliação dessa mistura, ficando à frente de fontes menores como sebo bovino e óleo de girassol. 

Uma exigência que já mudou de patamar

O Brasil passou a operar com percentual mais alto de biodiesel misturado ao diesel, elevação que representa milhões de litros adicionais de demanda pelo biocombustível a cada ano de consumo interno, número que só tende a crescer.

Wander Aguilera Almeida destaca que esse tipo de mudança regulatória, decidida em Brasília, chega até o produtor de soja de forma indireta, mas real: mais biodiesel demandado significa mais óleo de soja processado pela indústria esmagadora do país, elo a elo até chegar na fazenda.

Discussões para elevar ainda mais esse percentual seguem em andamento, com representantes do setor defendendo avanço mais rápido no cronograma previsto, argumentando que testes técnicos já comprovam viabilidade sem risco operacional relevante para os motores existentes. A lei que rege esse cronograma prevê incrementos anuais até um patamar bem mais alto do que o atual, com metas escalonadas ao longo da próxima década, o que dá previsibilidade tanto para a indústria quanto para o produtor rural.

O produtor também é consumidor do mesmo combustível

O outro lado dessa moeda raramente aparece na mesma manchete: o produtor que vende óleo de soja para virar biodiesel é o mesmo que enche o tanque das próprias máquinas com diesel misturado a esse biocombustível. Levantamentos do setor mostram que o gasto com diesel por hectare de soja praticamente dobrou em menos de dez anos, consumindo hoje uma fatia maior do custo total de produção.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

A regulamentação já autoriza percentuais de mistura ainda maiores para uso próprio em máquinas agrícolas e caminhões, chegando a até trinta por cento de biodiesel no diesel usado dentro da frota rural. Conforme salienta Wander Aguilera Almeida, produtores que adotam esse percentual mais alto, quando faz sentido para o motor de suas máquinas, relatam economia relevante frente ao diesel padrão vendido nos postos comuns.

Por que isso mexe com o preço do grão?

O aumento na demanda por óleo de soja pressiona toda a cadeia de processamento, elevando também o incentivo para esmagar mais soja e extrair mais óleo, em vez de vender o grão inteiro para outros destinos de exportação. Esse deslocamento de prioridade dentro da própria cadeia é um efeito que poucos produtores acompanham de perto, mas que influencia diretamente quanto vale entregar soja em grão ou negociar diretamente com uma esmagadora, decisão que muda de safra para safra conforme esse equilíbrio se altera.

Diante disso, Wander Aguilera Almeida ressalta que esse tipo de dinâmica cria um piso de sustentação para o preço da soja, já que parte da demanda deixa de depender exclusivamente do apetite externo por exportação e passa a contar também com o consumo interno de biocombustível brasileiro, ano após ano.

O que o produtor deve observar?

Acompanhar decisões do conselho responsável pela política de combustíveis, mesmo parecendo assunto distante da porteira da fazenda, ajuda o produtor a antecipar movimentos de preço que impactam diretamente a receita da safra inteira. Uma reunião em Brasília, aparentemente burocrática, pode mudar a curva de preço do óleo semanas antes de qualquer efeito aparecer no boletim de mercado consultado diariamente, e chegar atrasado a essa informação custa dinheiro de verdade na hora de negociar.

Para Wander Aguilera Almeida, entender essa conexão entre energia e agricultura é cada vez mais parte do trabalho de quem intermedia negócios no mercado de grãos, e não apenas curiosidade passageira sobre política energética nacional. Ignorar esse tipo de sinal, hoje, significa ficar sempre um passo atrás de quem já monitora esses indicadores com regularidade.

Compartilhe esse Artigo