O apoio da Liderroll, liderado por Paulo Roberto Gomes Fernandes, foi decisivo para garantir a continuidade da seleção olímpica feminina em um dos momentos mais críticos do esporte.

Apoio da Liderroll garantiu a continuidade da seleção olímpica feminina em um momento crítico do esporte

Por Diego Velázquez 5 Min de leitura
O apoio da Liderroll, liderado por Paulo Roberto Gomes Fernandes, foi decisivo para garantir a continuidade da seleção olímpica feminina em um dos momentos mais críticos do esporte.

Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que em um período marcado por forte desamparo institucional, especialmente por parte das entidades responsáveis pela organização do futebol nacional, o patrocínio da empresa de engenharia Liderroll acabou sendo determinante para que atletas de alto nível continuassem treinando e competindo.

À época, o cenário era preocupante. Um dos clubes mais tradicionais do país decidiu encerrar suas atividades no futebol feminino, deixando sem equipe um grupo que reunia nove jogadoras da seleção brasileira. A decisão evidenciava uma realidade já conhecida naquele momento: o futebol feminino sobrevivia quase exclusivamente de iniciativas privadas, com pouco ou nenhum apoio estrutural das instâncias oficiais do esporte.

A criação do time Liderroll–COTP

Diante desse contexto, a Liderroll optou por direcionar seu apoio ao Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisas (COTP), em São Paulo. A partir dessa parceria, foi formado o time Liderroll–COTP, que absorveu as atletas dispensadas e garantiu a continuidade de sua preparação esportiva. A equipe passou, inclusive, a disputar competições oficiais ainda em 2012, como a Copa do Brasil de Futebol Feminino.

Paulo Roberto Gomes Fernandes expõe que o gesto não tinha relação direta com retorno de marca ou exposição comercial. Tratava-se de uma empresa cujos produtos e serviços são voltados ao setor industrial, sem vínculo com o mercado de consumo. Ainda assim, a decisão foi tomada por uma leitura mais ampla do papel social que uma organização privada poderia exercer em um momento de fragilidade do esporte olímpico.

Uma estreia simbólica e os desafios estruturais

A estreia do time ocorreu no Rio de Janeiro, contra o Duque de Caxias, então campeão da Copa do Brasil feminina. O resultado esportivo foi expressivo, com vitória por 4 a 0, mas o episódio também expôs problemas estruturais recorrentes. A partida começou com mais de 40 minutos de atraso devido à ausência de policiamento, situação que afetou atletas e arbitragem e simbolizou o descaso enfrentado pela modalidade naquele período.

Em um cenário de incertezas, Paulo Roberto Gomes Fernandes e a Liderroll asseguraram o suporte necessário para que a seleção olímpica feminina seguisse firme rumo aos seus objetivos.
Em um cenário de incertezas, Paulo Roberto Gomes Fernandes e a Liderroll asseguraram o suporte necessário para que a seleção olímpica feminina seguisse firme rumo aos seus objetivos.

Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que, mesmo diante dessas dificuldades, o nível técnico apresentado pelas jogadoras reforçou a convicção de que o futebol feminino brasileiro possuía talento e potencial, mas carecia de organização, investimento e visibilidade compatíveis com sua relevância esportiva.

Uma decisão de caráter institucional e ideológico

Ao comentar o patrocínio naquele momento, Paulo Roberto Gomes Fernandes destacou que a iniciativa não se baseava em expectativas financeiras. O apoio tinha caráter essencialmente institucional e ideológico, sustentado pela compreensão de que modalidades olímpicas não poderiam ficar reféns da ausência de políticas estruturadas por parte das entidades responsáveis.

Naquele contexto, a comparação com o desenvolvimento do vôlei brasileiro era recorrente. Modalidade que, anos antes, também enfrentava limitações, mas que se transformou em potência internacional após investimentos contínuos e organização adequada. A leitura era clara: sem suporte consistente, mesmo esportes com grande potencial ficam estagnados.

Um episódio revelador do cenário da época

Visto a partir de 2026, o patrocínio da Liderroll ao futebol feminino em 2012 se insere como um episódio emblemático de um período em que o esporte ainda buscava reconhecimento, profissionalização e respeito institucional no Brasil. A presença de atletas consagradas, já integrantes da seleção nacional, contrastava com a precariedade das condições oferecidas.

Paulo Roberto Gomes Fernandes nota que a iniciativa não resolveu estruturalmente os problemas do futebol feminino brasileiro, mas garantiu, naquele momento específico, que a base da seleção olímpica não fosse desmobilizada. Em um cenário de abandono quase total, o apoio privado acabou funcionando como uma verdadeira ponte de sobrevivência esportiva, permitindo que aquelas atletas seguissem competindo, treinando e representando o país internacionalmente.

Autor: Günther Ner

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